10 anos de Lei Maria da Penha

Andréa Martinelli, Marcella Fernandes e Edgar Maciel (reportagem), Luciana Sarmento (edição) e André Murched (arte)
Aug 04, 2016
Marco dos direitos das mulheres no Brasil, a lei Maria da Penha completa dez anos no dia 7 de agosto. Apesar de o País ter avançado no combate à violência de gênero, ainda há muito o que ser feito. E os números divulgados são a prova disso: todos os dias, 13 mulheres são assassinadas no Brasil. É a quinta maior taxa do mundo.

O sofrimento de Maria da Penha se transformou em luta. E essa luta está longe de terminar.

Brasil ainda tem mais de dez mulheres mortas por dia

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Todos os dias, 13 mulheres são assassinadas no Brasil. É a quinta mais alta taxa no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2014 foram 4.832 homicídios, segundo dados mais recentes do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Dessas mortes, o governo federal não têm noção de quantos são casos de violência doméstica.

Maria da Penha: 'Meu sofrimento se transformou em luta'

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Em entrevista exclusiva, a farmacêutica bioquímica que dá nome à lei fala sobre sua experiência pessoal e a luta em prol dos direitos das mulheres. "Hoje existe uma lei que tem o meu nome e que está funcionando. A gente se alimenta com os resultados: eu vejo muitas mulheres lutando, muitos homens mais conscientes também. Há uma mudança, por mais que imperceptível para alguns".

Grupo tenta desconstruir machismo dos agressores de mulheres

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São 18h30 da tarde de uma segunda-feira nublada em São Paulo. Em uma sala apertada, aos fundos de uma casa no bairro Pinheiros, zona oeste da capital, 12 homens formam uma roda. Não é um encontro de amigos, nem uma reunião apenas para colocar o papo em dia. Alguns deles até preferem se manter em silêncio, outros desandam a conversar e debater. Estamos no meio de homens que são réus por agredirem as companheiras no único grupo do tipo na capital.

O lugar onde a Lei Maria da Penha ainda não chegou

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Da porta para dentro, o ditado popular "em briga de marido e mulher não se mete a colher" é seguido à risca. Do lado de fora, quem ousa denunciar, encontra uma terra sem lei. "Aqui na região a mulher só tem duas escolhas: ou você apanha em silêncio ou denuncia e tem grandes chances de morrer assassinada ou desaparecer".